Em uma pequeno barracão de madeira, Antônio Sales mantém um ofício pouco comum há 45 anos. Ele e a esposa produzem as chamadas rédeas de cabelo.

A matéria-prima é retirada do rabo das vacas e com a ajuda da roda de fiar, os primeiros fios ganham forma.

O trabalho é feito por Antônio com muito prazer. Por dia, até quatro dúzias são fabricadas e cada uma é vendida a R$ 180. Para fazer uma rédea, ele precisa de 600 gramas de crina de cores diferentes e muita habilidade.

A trança de cabelo é apenas uma tradição do município que ainda é preservada. Hoje, 85% da população de Dores de Campos vive da confecção de artigos de montaria e do trabalho com o couro.

A história começou há mais de 150 anos com os tropeiros que viviam em Minas Gerais. Em busca de conforto, eles começaram a fazer arreios para montar o animal antes de seguir em longas viagens.

A atividade se profissionalizou e hoje é a maior fonte de renda do município, trabalho que leva um toque de arte.

Nas mãos do entalhador Cleiton Rodrigues, as peças de couro usadas para fazer uma sela ganham desenhos e formas. Apenas com martelo e pregos, ele cria flores, linhas e contornos. Dependendo dos detalhes, Cleiton consegue produzir até 60 peças em um único dia.

A produção média é de 50 mil peças por ano, que são vendidas para várias partes do país e também para o exterior.

No município há 80 selarias como a de Antônio Cardoso. Ele possui 30 modelos diferentes para agradar o cliente. Algumas selas demoram até três dias para ficarem prontas, por isso, ele conta com a mão de obra de toda a família. “É bom porque não temos desemprego aqui. Eu faço isso há 30 anos e por mim não acabaria nunca”, diz.